Ex-comandante geral da PM de São Paulo assume que cidades precisam de Guardas Municipais no combate a violência.

A segurança pública foi o principal tema discutido ontem na sessão ordinária da Câmara Municipal. Os recentes casos de violência na cidade motivaram o discurso de vários parlamentares.

O presidente Sandro Bussola (PDT) puxou as cobranças e relatou uma série de casos noticiados pelo JC em uma semana, que envolvem depredação de escolas (como o NER e o Caic), de unidades de saúde, inclusive com reincidência (USF do Nova Bauru), e de roubos e assaltos a estabelecimentos comerciais, pedestres e ainda motoristas em semáforos.

Bussola sugere que a Prefeitura de Bauru estude a criação de uma Guarda Municipal. Uma das possibilidades seria o aproveitamento do atual Grupo de Operações de Trânsito (GOT), ligado à Emdurb, para que atue também na segurança pública, desde que haja o devido preparo. “Isso precisa ser bem definido, e é uma discussão que estamos dispostos a abrir nesta Casa de Leis”, enfatizou.

Nos últimos anos, ocorreram casos de desentendimentos de agentes do GOT com munícipes. Questionado se este seria um problema, o presidente do Legislativo reiterou que trata-se apenas de uma ideia. “É uma das possibilidades. Mas tem que se abrir a discussão. O que não pode é aceitar a violência que existe hoje na cidade, você não tem segurança de parar em um semáforo mais”, ressaltou. O pedetista afirmou ainda que vai chamar uma reunião com a prefeitura e a Polícia Militar (PM) para obter mais informações sobre o combate à violência no município.

FAVORÁVEL

, o vereador Coronel Benedito Meira (PSB) é favorável à criação de uma Guarda Municipal, desde que existam recursos financeiros para isso. “Há 20 anos atrás, eu era contra ter Guarda Municipal. Hoje, com a experiência que tive no comando do Polícia, vejo como algo importante. Para um município do porte de Bauru, uma Guarda Municipal precisaria ter cerca de 200 profissionais. O grande entrave é a questão financeira, a cidade não tem esse recurso hoje. Mas se tivesse condição, seria interessante ter uma Guarda Municipal”, declarou, em entrevista ao JC, após a sessão.

Hoje, Bauru está acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 51,3% da Receita Corrente Líquida, inviabilizando a criação de uma Guarda Municipal. O que o município tem hoje é apenas vigilantes para cuidar do patrimônio da prefeitura, e ainda assim em número insuficiente.

Há também a possibilidade de contratação de policiais militares de folga através da atividade delegada.

CHEIO DE BANDIDO

Ainda no discurso da segurança pública, Miltinho Sardin (PTB) lembrou da violência no entorno da Praça Washington Luiz, na região do Poupatempo, no Centro. “Tem comerciante fechando as portas porque não aguenta mais a violência ali. Está cheio de pedintes e “flanelinhas”. E tirando as pessoas que frequentam o Poupatempo, o comércio do local e quem trabalha por ali, está cheio de bandido. Não tem outra palavra”, disse, na tribuna da Câmara.

A questão envolvendo pedintes e moradores de rua nas imediações da Praça Washington Luiz foram discutidos em reuniões, com a presença do Conselho de Segurança (Conseg), PM, comerciantes da região, Sebes, entre outros.

Carlão do Gás (PMDB) salientou que sua assessoria acompanhou os encontros e também cobra soluções.

Já Chiara Ranieri (DEM) pontuou que o tema demanda ações integradas com outras cidades da região.

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